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Olho-d’água: um livro que transborda encontros, rupturas e tudo aquilo que insiste em permanecer

10 de maio de 2026

Olho-d’água: um livro que transborda encontros, rupturas e tudo aquilo que insiste em permanecer

Escolhemos começar esse espaço falando sobre Olho-d’água que é um daqueles livros cheios de camadas. Uma obra que não se encerra na história que conta, mas que continua ecoando depois da última página. Um livro que abre muitas possibilidades de conversa, de escuta, de interpretação e de silêncio também. Acreditamos que a literatura pode, e deve, ocupar esse lugar: o de território seguro para que muito seja dito, mas também para que o não dito encontre espaço para existir. Há livros que explicam. Outros, que provocam. E existem aqueles que simplesmente nos atravessam. Olho-d’água é um deles. Recebemos essa obra da Editora Boitatá e, desde o primeiro contato, tivemos a sensação de estar diante de um livro que arrepia, encanta e permanece. Um livro que fala sobre amizade, vínculos profundos, encontros e rupturas. Sobre aquilo que muda. Sobre aquilo que permanece. Sobre os caminhos que se afastam sem que os afetos necessariamente desapareçam. A narrativa de Marcelo Tolentino mais uma vez faz o tempo suspender. Há delicadeza na forma como as palavras se organizam, mas também intensidade. O texto cria pausas, silêncios e espaços para que o leitor complete a história com as próprias memórias, vivências e sentimentos. E então chegam as aquarelas de Poética do Habitar, que transformam o livro em uma experiência visual profundamente sensível. As páginas parecem transbordar. A água escorre pelas ilustrações, invade os espaços, mistura dentro e fora, emoção e paisagem. Em nossa prática, acreditamos profundamente no entrelaçamento das linguagens. Literatura, arte, gesto, desenho, pintura, conversa e silêncio caminham juntos. E é justamente nessa trama entre arte e literatura que as crianças encontram possibilidades de expressar, assimilar, organizar sentimentos e atribuir sentidos ao que foi construído com aquela história. As ilustrações de Olho-d’água parecem convidar exatamente para isso. Para que as emoções possam ganhar cor, forma, movimento e presença. Para que aquilo que toca durante a leitura encontre outras maneiras de existir para além das palavras. Há um menino que nos conduz pela narrativa. E junto dele vêm as lágrimas, os medos, as lembranças e as perguntas que nem sempre conseguimos nomear. Durante a leitura com as crianças, uma delas comentou: “Eu acho que eles eram amigos sem se separar. Aí chegou uma tempestade e eles se perderam.” L., 5 anos E há algo muito bonito nessa forma de compreender o que está posto na história: algumas relações realmente seguem existindo mesmo quando já não ocupam o mesmo lugar de antes. Algumas amizades continuam morando dentro da gente, ainda que os caminhos tenham se tornado diferentes. Depois de mergulhar nessa história e em toda a sua poética, nós também nos permitimos transbordar. Transbordar sentimentos. Memórias. Perguntas. Silêncios. É são essas experiência que desejamos compartilhar por aqui. Neste blog, queremos reunir livros que merecem espaço no acervo, nas escolas, nas casas e nas mãos das crianças, mas também dos adultos que caminham ao lado delas. Obras que ampliem repertórios, sensibilizem o olhar, provoquem conversas importantes e ofereçam outras maneiras de compreender o mundo e a nós mesmos. Obrigada por ler até aqui. Não contamos com este exemplar em nosso Sebo. Para adquirir seu exemplar, clique no link abaixo: https://amzn.to/43ACz6z Lu's (Luana Melhado e Luana Bazoli)